skip to Main Content

Na casamata de si

R$30,00

2 em estoque

Descrição

Pedro, num dos versos, se põe de cuecas, bem ao seu estilo, que transita entre a ironia e a impotência da constatação metafísica de que não há muito o que fazer numa existência, a não ser tentar viver e sugar até o último instante o oxigênio do mundo. Isso impõe a instabilidade que a poesia promete, de não garantir certezas, sobretudo porque é da sua natureza o contrário. Assim vestido, ou, melhor dizendo, desvestido, se põe bélico, transforma a fantasia do eu lírico nesse lugar ainda mais fantasioso que imagina ser a “casamata de si”, menos em guerra contra si próprio que contra o mundo, que observa ao fio da espada como samurai: “a poesia é um libelo contra a verdade constituída”. Assim, sem saída, cercado da verdade de suas plantas no jardim que produz haicais, se constata “credor apenas do destino”. Adquire outras certezas como a de que “não se deve jogar / esperando ter o / nome em uma placa / dourada brilhante” e logo louva, irônico, os poetas menores “que insistiram em projetos estéticos patéticos” diante da constatação de que “deles será o reino dos vivos”. Entre a desconfiança de que pode afinal ser um desses e a recusa de ser um daqueles, “poeta de vestibular”, se arrisca na aposta de que o melhor mesmo é viver e ser “o poeta riscado em banheiro / falado à boca miúda / escrito em cantos do papel / passado à mão de mão em mão / sobrevivendo escondido / com um fuzil / habitando o que resta / de nós”.

Ademir Demarchi

Editora/Selo: Patuá

ISBN: 9788582976227

Ano de Publicação: 2018

Dimensões: 13,5x22,5 cm

Nº de Páginas: 104

Acabamento: Brochura.

Autor(a)Pedro Tostes Pedro Tostes é poeta reincidente e insistente. Graduado Nos Rolês com PhD em Pilantropia Cultural. Seus crimes foram mais conhecidos como "o mínimo" (2003), "Descaminhar" (2008), "Jardim Minado" (2014) e esta mais recente contravenção. Foi detido, averiguado e apreendido pelas autoridades por porte e comercialização de livros em prestigiosa Fresta Literária. Com a organização delituosa "Poesia Maloqueirista", entre outros crimes, editou a infame revista "Não Funciona", que realizou 20 golpes bem sucedidos com mais de 20 mil incidências literárias na primeira década do século. Apesar da aparência dócil e gentil, o indivíduo citado apresenta alta periculosidade. Sua cabeça está a prêmio. Caso o encontre, favor informar às autoridades.

Informação adicional

Peso 245 g
Back To Top